Novos Tempos

Faz tanto tempo que não escrevo, faz tanto tempo que não desabo e deixo tudo cair. Não sei o que mudou, se foram as pessoas, se foi o caráter, se foi a falta de empatia pelo próximo. O amor que sentia pelo mundo, pelas folhas, pelas flores, por tudo. Mudou. Ainda não sei se para melhor ou não. Não sei onde me perdi nesta vida, não me lembro bem. Tudo que eu fazia era amar. Só amar. Hoje pensamos uma, duas, três ou mais vezes antes de dizer uma palavra, antes de dar um abraço. Não sei qual a pedra que me fez cair e sem perceber, ficar parada no tempo. Ficar parada no mesmo lugar. Acomodar-me a situação de dor, as situações que a vida nos coloca. O tal destino, Karma ou escolhas, chame do que preferir. Eu me perdi. Há dias que eu me encontro com facilidade, há dias que nem sei quem sou. Os dias que não grito são os que mais sinto dor. Os dias que explodo são os que mais me aliviam, o vento parece soprar com amor minhas feridas expostas. Amor e ódio andam completamente juntos e ao mesmo tempo separados, uma linha tênue divide meu mundo. Tem dias que sou só amor, tem dias que sou só dor. A minha cura não está em um lugar, em um remédio, em alguém, minha cura não cai do céu. Minha cura vem como quem não quer nada, ela está nas flores, nos livros, na poesia, na música, nas curvas, no mar. Minha cura está em viajar.

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Acumulei

Então é isso. Acúmulo. Acumulavam coisas em mim. Pessoas. Sentimentos. Vazios. Lembranças. Nunca soube como explicar o que sentia, muito menos o que sinto agora. Só que quando explodo a única coisa que dizem é: – Salve-se quem puder!

Saudade da morena

Sinto muito sua falta, mas nunca te digo…  Porque meu amor por ti é bem maior do que eu mesma sinto. Te amo de uma forma diferente, eu tô sempre aqui presente. Tô sempre pensando em te escrever e quando vou te ver.  Já vi alguns fuscas hoje, mas não quero te dizer. Só pra ter o prazer de te beijar sem ter que contar, porque te devo todos os beijos do mundo e quantos você ainda quiser. Serei sua até que diga ao contrário. Porque meu coração é teu e meu pensamento também, porque eu sou tua pequena e meus poemas também.
Porque sou louca por você, meu bem e amo você também.  

Alérgica ao amor

Alérgica ao amor, foi assim que alguém me descreveu um dia. Palavras escrita de forma tão sincera e verdadeira.
Não posso negar que ler elas agora é estranho, de fato.
Não posso negar que sempre fui alérgica ao amor e tudo em relação à amar.
Sentia seu cheiro de longe e ia embora para não ter que me preocupar.

Mas olha só, parece que encontrei alguém que não se preocupa em me comprar antialérgicos todos os dias. 

Acho que ela tem me ajudado a curar minha alergia… 

Queria que ela soubesse. 

As aparências enganam

Eu nunca sofri por sentir de menos. Sempre sofri por sentir demais. Talvez seja por sentir demais a tua ausência. Talvez por sentir demais o sufocamento dos outros. Talvez por de uma hora pra outra todo mundo resolveu ser legal, aparentam interesse nas minhas loucuras. Talvez seja por sentir amor demais que faz doer.

Escuro

Vejo o por do sol em uma de suas fotos. Já disse que amo suas fotos? Amo seu olhar e seu mal jeito de falar. A má forma de se expressar e a falta de palavras que insistem em te encontrar.
(Ou palavras em excesso a te sufocar).
Não se esconde agora, você ainda tem muito o que mostrar.

Árvore de flores vermelhas

Ela sentiu o calor dos teus olhos gigantes, sentiu o calor de teu sorriso. Olhou para ti e fugiu.
Fugiu com medo da felicidade encontrada em tal esquina esquecida. Fugiu de pavor de ser olhada e admirada…
Fugiu da atenção recebida só para ela, mas ela viu que era pura bobagem fugir daquilo que não se pode, então ela se entregou nos teus braços e tu com teus olhos a amou, a fotografou, a emoldurou na parede do teu coração e com o vento ela dissipou suas folhas vermelhas.
Vermelhas igual ao sangue que corre em teu coração, no teu corpo, em você.  

Jonathan (1/?)

Eu sinto o sol no teu corpo frio

Vejo o sol, abro a janela, sinto a brisa. Observo teu corpo em minha cama, resto de vinho em taças sobre a mesa, carteira de cigarro e meu isqueiro.
Tomo o resto do vinho, com o cigarro  aceso dou meia volta e beijo tuas costas. Cheiro seu cabelo e tenho cuidado ao levantar da cama, pois sei que tem o sono leve. Mas parece que hoje você quer continuar a sonhar.
Não dormi ontem, liguei pra você e veio até mim, te abracei nos beijamos e transamos. No entanto não como das outras vezes… Estávamos conectados, de forma tão precisa e sutil, mas não importa. Finalmente nos entendemos.
Ainda sim estou a te olhar da varanda, enquanto termino o cigarro e as lembranças dos seus dedos em meu corpo me fazem sorrir e absurdamente não fico incomodado com teus toques, caminho até a beira da cama, deito por cima do seu corpo tiro teus cabelos da orelha e sussurro à você “foi bom e é uma pena ser a última vez”
beijo seus olhos e observo seu corpo a se debater, você sabe o que acontece naquele instante e eu apenas digo para não ter medo, peço desculpas e a sufoco até ver que não existe mais vida em seu ser. Saio de cima de seu corpo e sinto-me saciado por completo, vou até a varando e fumo mais um cigarro.
– Adeus, baby.

Todos os dias

Porque só um dia da consciência negra? Porque só um dia da mulher? Porque só um dia do homem? porque só um dia das crianças? Porque só um dia dos professores e um dia dos estudantes?
Porque só um dia pra se conscientizar se existem 365 dias em um ano, imagine quantos dias há em um século.
Porque só se conscientizar sobre o que acontece todos os dias em um único dia?
Vocês entendem?
Devemos se conscientizar todos os dias, a todo momento. 
“A pior prisão é aquela da mente fechada” foi o que alguém me disse e é a mais pura verdade, porque manter a mente fechada é regredir e deixar a ignorância invadir.   

Despir

Despir-me naquela poesia, como um músico se despe na música, tirando cada peça de dor, cada peça de amor, cada peça de lembrança e saudade.
Eu estou despindo meus sentimentos, outra vez, mas quero sempre que se lembre o quão nítido isso fica quando escrevo sobre você.

Não sinto por ser eu mesma

Borboletas na barriga invadem e renascem das cinzas, meu corpo mal habitado, pouco lembrado e cheios de marcas, são provas de amores inacabados, amores mal usados e amores roubados.
Sinto por ter sido aquela que fecha os olhos e acolhe sem pressa, sabendo que será machucada, magoada e dilacerada.
Sinto por cada palavra dita e não ouvida com o coração.
Sinto por ser poeta e colocar flor no buraco de dor.
Sinto por ser aquela que diz não ligar quando a xingam.
Sinto por ser aquela que de tanto sentir, precisa ser aquela que não sente nada.
Sinto muito por ser eu mesma e mesmo assim não me respeitarem, porque se eu fosse outra…
Eu não seria eu.

A poeira dos olhos

Nuvens esparsas no seu céu.

A poeira estrelar nos teus olhos me faz crer que sentes também.

A telepatia em está junto com sua sinfonia de palavras,

quase gritadas em sussurros de dentro de você.

Sinto te informar que tenho poeira em meus olhos também.

Teu olhar te entrega

Teus olhos encandecem quando você os abre.

Poderia abrir eles para mim?

Quando não puder mais abri-los, fale.

Quando não puder mais falar, grite.

Quando não puder mais gritar, escreva.

E se não puder mais escrever, desabe…

Apenas tente se lembrar que vou te proteger,

ou ao menos tentar.